Stella jogou as mantas de lado e vestiu um jeans e uma camisa, procurou pelas botas e calçou-as rapidamente.Pegando um grosso casaco, saiu, tentando se convencer de que tudo estaria bem.Apesar disso, sabia que um homem estava correndo perigo de vida e que precisava encontrá-lo.Não tinha a menor idéia de onde procurar ou qual a extensão de seus ferimentos, mas, assim mesmo, teria de encontra-lo.
Felismente tuinha Arturo, um burrico que, embora não soubesse bem porque, poderia ser muito útil naquela hora.
Stella seguiu a direção do que seu instintolhe indicava.O terreno era extremamente acidentado e por essa razão teve que guiar o animal sem montar nele.
Um grande desespero a fazia andar mais e mais rápido.Estava se afastando cada vez mais de sua casa e do vilarejo, e não tinha a menor idéia de onde iria chegar.
De qualquer forma, aonde quer que estivesse indo, precisaria chegar rápido.A estradinha ia se estreitando cada vez mais , e Stella não reconhecia os arredores.Nunca havia passado por ali antes, mas sabia que aquele caminho levava a um vale que era ao cortado por uma auto-estrada.
Subitamente viu ao longe luzes se movendo na escuridão.Parou e percebeu que eram os fárois de dois carros.Um deles parecia estar perseguindo o outro.Cansada de puxar Arturo o amarrou a um arbustos e correu na direção da estrada.
Quando chegou mais perto, viu, horrorizada, que o carro perseguido perdera o controle e parar tombado na beira de um precipício.Todos os detalhes do que havia presenciado ficaram gravados em sua mente, até mesmo o barulho da batida.
Saiu correndo desesperada e escondeu-se atrás de uma arvore.Dois homens sairam de segundo carro e correram até o outro, acidentado.Então, Stella pode ouvi-los perfeitamente.
_Onde esta ele?_perguntou, em espanhol, um dos homens_Esta morto?
_Não sei.Vamos ver se ainda esta no carro.
_Não espere.Esta ali.Foi jogado para fora.
_Esta morto?
_Se não estiver ainda,não vai demorar muito.Se for encontrado, pensarão que estava correndo muito e perdeu o controle.
Stella não queria acreditar no que estava ouvindo.Aqueles homens haviam provocado o acidente propositalmente e iam abandonar a vitima.
Ela tinha uma horrivel sensação de impotência, pois sabia que, se aqueles homens descobrissem que havia testemunhado tudo, não hesitariam em matá-la.
Naquele momento Arturo zurrou, e Stella se perguntou se eles investigariam a origem do barulho.
_O que foi isso?
_Sei lá.Tem muitos animais nessas redondezas.Vamos, Ninguém vai encontra-lo aqui.De qualquer forma, já deve estar morto.
Em seguida, entraram no carro e partiram.Stella estava paralizada pelo choque.Em toda a sua vida, nunca havia assistido a uma cena tão cruel.Tentando se controlar, correu até o corpo estendido no chão.
O dia já começava a clarear mais talvez para aquele homem não houvesse mais um novo dia.Ajoelhou-se ao lado dele, temendo que nada pudesse fazer para ajudá-lo.
Sua pele estava pálida e gelada, e Stella tremia tanto que não conseguia encontrar seu pulso.Sua roupa estava coberta de terra e sangue.
"Porque razão aqueles homens o haviam perseguido?Porque queriam vê-lo morto?"
Stella olhou ao redor, tentando descobrir onde estava e que providência tomaria.Se buscasse socorro, ele teria de ficar ali durante horas.Precisava ajuda-lo naquele momento ou seria tarde demais;teria de agiri com calma e racionalmente.
A primeira coisa a fazer era buscar Arturo e tentar levar aquele homem até a vila.Talvez já não pudesse fazer nada, mas, pelo menos ele merecia um enterro decente.
Decência.A palavra ficou martelando em sua cabeça.Ele era um homem decente e não merecia morrer numa estrada qualquer no meio do nada.
Stella já havia passado por experiências que faziam pensar que sua vida era muito complexa, mas essa sensação nunca a tinha invadido de forma tão profunda."Porque teria tido visões se no fim não seria capaz de salva-lo?"
Enxugou as lagrimas que lhe corriam pelo rosto e concluiu que , uma vez que estava lá, não o abandonaria, faria tudo o que estivesse a seu alcance.Depois de levar o burrico para perto dele, descubruiu que o estranho era maior do que pensara a principio.Certamente precisaria usar toda a força que tivesse para coloca-lo sobre o animal.
Com enorme cuidado e paciência, virou-o de bruços e limpou o sangue que lhe cobria o rosto.Tinha um corte profundo na testa, além de escoriações generalizadas, mas sua expressão era tranquila, como se estivesse dormindo.
Stella sentiu uma vibração invadir-lhe o corpo.Aquele homem era muito atraente.Os traços fortes contrastavam com a boca, que parecia ter sido feita para sorris.Ela sentou e o observou por um momento, até perceber que estava perdendo um tempo precioso.Não podia adiar mais o que precisava ser feito.
Pôs os braços em volta dele e apoiou a cabeça em seu peito forte para tentar levanta-lo.No mesmo instante, um som alcançou seu ouvido: o coração dele estava batendo.O homem estava vivo!
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